“Até meu último segundo de vida terei esperança de sepultar minha filha Eliza Samúdio”

“Bruninho, aos 8 anos, tem uma personalidade bem forte e, geralmente gosta de brincar com o videogame, fica no celular jogando ou assistindo alguns vídeos que ele gosta. Ele me chama de ‘mãe Soninha’, mas a iniciativa de me chamar de mãe foi dele.

Desde pequeno, eu sempre mostrei fotos da mãe dizendo ‘esta é a mamãe Eliza’ e, até hoje, eu refiro a mim como avó apesar de ele me chamar de mãe. Acredito que isso seja da natureza do ser humano falar mãe e pai antes de dizer vó ou tia. Eu sempre falei pra ele que a mãe Eliza está morando com o Papai do Céu e que virou uma estrelinha.

Eu sempre contei a ele sobre as coisas que ela gostava de fazer e alguns gestos dele ou modo de olhar lembram muito ela. Eu sempre falei que a mãe dele era uma menina carinhosa, que gostava de jogar bola, alegre, com boas amizades, muito companheira…

Muitas vezes ele queria detalhes como o que ela gostava de comer. Ele adora comer batata frita com ketchup como a mãe. Quando vi essa cena, meus olhos encheram de lágrimas.

– O que foi, mãe Soninha?
– Nada. Você está fazendo como sua mãe Eliza. Ela adorava comer batata frita assim.

Tem coisas que a mãe adorava fazer quando criança que ela gosta das mesmas coisas e isso me remete àquela época. Ele tem um gênio teimoso, forte, determinado, meio mandão, mas com carinho e amor, tem boas conversas e a gente consegue chegar num eixo. Sempre disse que a mãe era obediente, eu a colocava sentada em algum lugar sentada dizendo ‘Eliza, fiquei aqui’ e ela respeitava.

– A vó nunca precisou deixa-la de castigo e sempre foi uma menina muito boa.

Bruninho se encanta com as fotos da mãe e sempre pede para ficar admirando-as (Foto: Arquivo pessoal)

O crime

Ele sabe que a mãe lhe tiraram a vida, que não existe um corpo da Eliza, que os assassinos sumiram com o corpo dela, mas ele não sabe dos detalhes. Acho que ele é muito novo para uma carga pesada como essa. Ele sabe que o pai dele é o responsável, que é mandante do crime. Ao que me parece, o Bruninho não ficou chocado com essa informação porque já vínhamos trabalhando isso há cerca de dois anos, quando ele começou a perguntar do pai.

– Por que eu não posso conhecê-lo?
– Porque ele foi preso.
– Foi por causa de roubo ou drogas?
– Não.
– Ele tirou a vida a alguém?
– Não, ele foi responsável por tirarem a vida de uma pessoa.

Em maio do ano passado, ele me questionou como a mãe tinha morrido, eu devolvi a pergunta ‘o que você acha que aconteceu?’ e ele respondeu ‘acho que meu pai é responsável pela perda da minha mãe’. Eu falei ‘então vamos conversar’. Quis saber se alguém tinha contado alguma coisa, mas ele disse que não. Então meu neto percebeu que eu não gostava de ouvir a respeito nem de ver as entrevistas do pai dele. Também não o deixava ver. Ele começou a tirar suas próprias conclusões e eu confirmei que sim.

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